Product Owner por alguns dias
24 de Junho, 2024
No início deste ano um novo desafio surgiu, trazendo aquele mar de inseguranças que só uma zona de conforto abalada consegue. Não que gerir pessoas seja algo linear e, por assim dizer, confortável. Longe disso! Mas o que dizer sobre continuar fazendo a gestão do time e adicionar a função de “Pí Ou” do produto em que o time trabalha?
Essa oportunidade, substituindo interinamente uma colega na sua licença maternidade, não está sendo das mais fáceis. Além de mergulhar na carreira de cada pessoinha como coordenadora, como PO é necessário também mergulhar no produto, em como ele funciona, como é desenvolvido, quais seus objetivos e sua proposta de valor. Tudo isso para poder gerenciar prioridades de desenvolvimento com o time e continuar evoluindo o produto em conformidade com as necessidades dos clientes.
Talvez a pergunta assustadora mais óbvia seja “Como fazer tudo isso ao mesmo tempo?”. Hoje posso dizer que ao mesmo tempo não é possível, ao menos não para mim (certamente existem alguns workaholics capazes de tal proeza, risos). A questão principal é quão difícil é a mudança de contexto. Mudar o foco da Gestão de Pessoas para a Gestão de Produto é quase como mudar do paradigma de desenvolvedor para gestor. São necessárias mentalidades e habilidades diferentes para cada uma delas, mas num caso como esse é muito fácil acabar misturando as coisas ou tentar resolver tudo e acabar não resolvendo nada.
Devo admitir que venho focando mais na gestão do produto (e peço perdão por isso), muito em função de que boa parte do trabalho depende só de mim. Seguir os processos, criar e atualizar documentações e organizar tarefas são o tipo de coisa que a Laura gosta de fazer na vida, não só no trabalho. Além disso, o fator “aprender algo” novo ou diferente é irresistível em muitos casos.
Entretanto, produtos são feitos por pessoas e para pessoas: o denominador comum entre as funções. Conciliar pedidos de clientes internos e externos com as convicções da equipe sobre o que é melhor para o produto é de uma complexidade gigante. Como traduzir da melhor forma uma necessidade de negócio e convencer o time de que aquele débito técnico tem menor prioridade? E o contrário também se aplica: como transpilar aos mais leigos tecnicamente que tal débito técnico é crucial para que outras features importantes sejam implementadas no futuro ou para que o produto seja durável, escalável, performático?
Eu diria que o momento atual está sendo um desafio e tanto. Tenho mais alguns meses me dedicando a essa função de agente duplo, tentando ser o menos duplo possível. Meu objetivo principal é que tudo flua da melhor forma possível para todos os envolvidos nos processos, seja da construção do produto ou da evolução de suas carreiras. Mas no final disso tudo, já tenho a certeza antecipada de que a experiência e tudo o que foi aprendido terá valido a pena.
Originalmente publicado no LinkedIn.