Linkedinizar: problema ou oportunidade?
20 de Abril, 2026
Recentemente, conversando com uma amiga, falávamos sobre a chamada “linkedinização” das situações da vida e como isso se tornou um meme recorrente nas redes sociais. Muitas vezes vemos situações cotidianas sendo transformadas em analogias ao mundo corporativo, o que gera diferentes percepções. Me questiono: onde será que está o real ponto de desconforto nisso? No dia a dia, é comum falarmos sobre nossa versão profissional e nossa versão pessoal. Mas será que essa separação é tão clara assim?
Lembro que, anos atrás, participei de processos seletivos incluindo no meu currículo um blog de tirinhas sobre futebol que eu adorava fazer. Eu nem imaginava que esse hobby poderia ser visto como um diferencial, mas nem por isso deixei de incluí-lo, já que era uma forma de expressão e de uso prático de diversas ferramentas. Depois de ter sido contratada, o gestor comentou sobre isso e perguntou mais sobre o projeto.
No fundo, entendo a crítica sobre transformar em analogias corporativas qualquer assunto. Algumas podem até conter exageros e não fazer sentido para todos. Mas, ao mesmo tempo, fico pensando em quantas ideias, projetos e perspectivas deixam de ser compartilhados por receio do julgamento. Afinal, até que ponto conseguimos separar o pessoal do profissional, se são justamente nossas experiências e interesses que evidenciam habilidades como pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas e inovação?
São justamente nossas experiências e interesses que evidenciam nossas habilidades.
Fica aqui uma dúvida genuína: será que nos processos seletivos atuais, conseguimos olhar para essas nuances dos candidatos além do que está explícito em uma descrição de cargo? Em um momento em que há tantas pessoas qualificadas e processos cada vez mais dinâmicos — inclusive sendo automatizados —, esse pode ser um desafio enorme.
Ainda assim, gosto de acreditar que existem espaços onde o olhar para o indivíduo como um todo continua sendo valorizado.
Originalmente publicado no LinkedIn.