Carreira tech labiríntica
11 de Janeiro, 2024
… e as inseguranças no percurso.
Esses últimos meses de encerramento de um ano e início de outro, onde compilamos e apresentamos os últimos resultados ao mesmo tempo em que nos preparamos para os próximos desafios e estabelecemos nossas próximas metas, me trouxeram diversos momentos de reflexão e de revisão do meu caminho profissional até aqui. Quando novos desafios se apresentam costumo passar por momentos de déjà vu assim.
Tive um período na carreira como desenvolvedora onde comecei a me sentir bastante desatualizada tecnicamente. Ferramentas novas iam surgindo e eu não conseguia aprendê-las com a mesma velocidade e facilidade de antes. A mesma pessoa que criava projetos em PHP e páginas web animadas com jQuery do zero, não conseguia parar pra entender o funcionamento dos novos frameworks da moda.
Responsabilidades de gestão começaram a tomar cada vez mais espaço no meu dia-a-dia de trabalho (alerta de novos desafios aqui!) e isso trouxe novas perspectivas de carreira. Foi um momento de transição importante, onde eu descobri e desenvolvi novas habilidades, que fez com que eu chegasse onde estou hoje. Mas eu continuei sentindo aquela ervilha embaixo do colchão (ref). Segui em frente mesmo assim, tentando ignorar o incômodo que isso trazia.
Completamente focada na gestão de pessoas e na minha zona de conforto feita de HTML e CSS, certo dia eu ou ouvi num 1:1: “Tu sabe muito mais do que tu acredita que sabe”. E de fato! Existem pessoas que passam na nossa vida e nos apontam coisas óbvias que muitas vezes não enxergamos. Acredito que a partir desse momento, com a confiança já depositada em mim e no meu trabalho, comecei a olhar com outros olhos para skills técnicas novamente. Aos poucos fui explorando um pouco mais a cada oportunidade, curso ou evento que aparecia (oi, Hacktoberfest!). Ainda é como entrar na água gelada, uma parte por vez, mas a cada parte submersa a sensação térmica vai se estabilizando.
Plot: Não, eu não me tornei uma dev sênior excepcional. Sigo meu caminho liderando pessoas, mas certamente sigo diferente hoje do que seguia há uns 3 anos atrás, com base em duas lições até que bem simples.
O primeiro passo foi estar aberta a aprender. Aceitar que eu não sabia tudo e estar confortável com isso. Costumava me sentir envergonhada e pensar que eu devia saber algo que eu de fato não sabia. Percebi que achar que já deveria saber algo acabou me fechando para muitos aprendizados. Aprender algo novo é tão gratificante quanto já saber sobre aquele assunto. O “Eu sei e posso te ajudar!” vem bem depois de um “Não sei como isso funciona. Pode me explicar?”.
O segundo passo fundamental foi saber buscar as soluções, ou opções de solução, ou em linhas gerais, abrir os caminhos. Dar aquele primeiro passo que vem depois do “Não sei”. Eu poderia não ter a resposta de imediato mas sempre soube onde buscar ou com quem buscar. E se, ainda assim o ponto de partida é nebuloso, sempre procuro criar uma rede de pessoas com quem compartilhar em busca de solucionar o problema.
Sempre que me recordo dos meus gaps técnicos ou me deparo com um desafio novo que precise de um conhecimento que eu ainda não tenho, eu lembro desses dois pontos: estar aberta e disposta a aprender e buscar um ponto de partida, uma referência. Talvez eu não faça ou encontre a melhor solução, talvez eu demore pra aprender e talvez eu precise da ajuda de alguém com mais conhecimento. Mas o interesse genuíno em aprender e em ajudar a resolver um problema ou criar um produto tem muito valor. É o que te mantém em movimento e espanta as inseguranças.
Originalmente publicado no LinkedIn.